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Curva ABC de obra: onde está o dinheiro

Atualizado em 30 de agosto de 2026 · leitura de 3 min

Uma planilha de obra tem centenas de linhas e você não tem atenção para centenas de linhas. A Curva ABC resolve isso ordenando os itens do maior para o menor valor e mostrando quantos deles bastam para explicar a maior parte do orçamento.

O resultado quase sempre surpreende quem faz pela primeira vez: costuma ser um punhado de itens respondendo por metade do contrato. São esses que merecem cotação com três fornecedores, negociação de prazo de pagamento e conferência de quantitativo. O resto é ruído.

Como a classificação funciona

O procedimento é sempre o mesmo, e é simples:

  1. Some o valor de cada item (quantidade × preço unitário).
  2. Ordene do maior para o menor.
  3. Vá acumulando o percentual sobre o total.
  4. Corte em duas faixas: até um percentual acumulado é A, até outro é B, o resto é C.

O que muda de uma empresa para outra são só os dois cortes.

Qual corte adotar

Os dois critérios usuais, e quando cada um serve
CritérioCorteQuando usar
Orçamento de obraA ≤ 50% · B até 80% O mais comum em construção. Deixa a classe A pequena o bastante para ser tratada item a item
Pareto clássicoA ≤ 80% · B até 95% Herdado da gestão de estoque. A classe A fica grande e perde poder de foco numa obra
Personalizadoo que o edital fixar Quando o contratante determina a faixa, a curva tem que responder àquele corte

Não existe corte certo em abstrato — existe corte declarado. Uma curva ABC que não diz qual critério adotou é uma classificação arbitrária com cara de fato, e a primeira pergunta de quem confere vai ser essa.

O que fazer com o resultado

A curva não é um relatório para arquivar. Ela muda três decisões concretas:

  • Compras. Item classe A justifica cotar com três fornecedores e negociar prazo; item classe C não paga o tempo de quem cota.
  • Conferência de quantitativo. Um erro de 10% num item A muda o resultado da obra. O mesmo erro num item C não muda nada — e é onde a maioria gasta o dia conferindo.
  • Acompanhamento. Se os itens A estão dentro do previsto, a obra está dentro do previsto. É o painel mais honesto que existe, e cabe numa página.

A curva por etapa, não só do contrato inteiro

A curva do orçamento todo responde "onde está o dinheiro da obra". A curva de uma etapa responde outra coisa: "onde está o dinheiro desta frente" — que é a pergunta de quem vai negociar com o fornecedor daquele serviço específico.

São duas leituras diferentes do mesmo dado, e a segunda costuma ser a mais acionável no dia a dia da obra.

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Perguntas frequentes

O que significam as classes A, B e C?

São faixas de peso financeiro. A classe A reúne os poucos itens que respondem pela maior fatia do valor, a B é a faixa intermediária e a C junta a maioria dos itens, que somados representam pouco dinheiro.

A Curva ABC usa o valor com BDI ou o custo direto?

Use o valor que você vai discutir. Para negociar com fornecedor, o custo direto é o número relevante. Para conversar com o contratante sobre o contrato, é o valor com BDI. O que não pode é misturar os dois na mesma curva.

Curva ABC serve para obra privada?

Serve igual. Ela não tem nada de contrato público: é uma leitura do orçamento por peso financeiro, e funciona em qualquer obra que tenha planilha.

Com que frequência refazer a curva?

Uma vez no orçamento aprovado e de novo a cada aditivo relevante. Aditivo muda quantidade, e quantidade muda a ordem — um item que era C pode virar A depois de um acréscimo.

Este texto é informativo e não substitui análise do contrato e do edital do seu caso, nem parecer jurídico. As regras citadas são as da Lei 14.133/2021 e valem para contrato público; em obra privada, vale o que estiver pactuado.