Planilha orçamentária: como montar usando o SINAPI
A planilha orçamentária é a espinha da obra: é dela que saem o preço, o cronograma físico-financeiro, a medição e, no fim, o atestado. Montar bem custa um dia; montar mal custa a obra inteira, porque todo o resto é derivado.
Comece pela EAP, não pelos itens
O erro mais comum é abrir a planilha e começar a lançar serviço. O caminho que funciona é o inverso: primeiro as etapas — serviços preliminares, movimento de terra, fundações, estrutura, e assim por diante — e só depois os itens dentro de cada uma.
A razão é prática. A medição é feita por etapa, o cronograma é por etapa e o fiscal confere por etapa. Uma planilha de 300 linhas sem estrutura é inconferível para todo mundo, inclusive para quem a montou.
Composição e insumo: a distinção que mais custa caro
No SINAPI existem dois tipos de registro, e trocá-los é o erro que mais aparece em planilha de empresa iniciante:
| Composição | Insumo | |
|---|---|---|
| O que é | O serviço executado | O material ou a mão de obra isolada |
| Exemplo | Alvenaria de bloco 9 cm assentada | Bloco cerâmico 9 cm |
| Inclui mão de obra | Sim, com produtividade e encargos | Não |
| Se você trocar | — | O orçamento perde a mão de obra inteira daquele item |
Lançar o insumo achando que lançou a composição não dá erro em lugar nenhum: a planilha fecha, o total sai, e a obra é executada com um preço que não paga o pedreiro.
A competência e a desoneração mudam o preço
Dois parâmetros mudam todo o valor da planilha, e os dois costumam passar despercebidos:
- A competência (o mês de referência da tabela). A Caixa publica a referência do mês por volta do dia 10 a 15 do mês seguinte. Um edital pode exigir uma competência específica — e usar outra é motivo de desclassificação.
- Desonerado ou não desonerado. São duas tabelas de preço diferentes para o mesmo serviço, conforme o regime de contribuição previdenciária. Escolher a errada muda o preço de cada linha da planilha.
Vale registrar qual competência e qual regime foram usados no cabeçalho da planilha entregue. Quem confere vai procurar isso primeiro.
Quando o SINAPI não tem o serviço
Acontece com frequência, e há dois caminhos legítimos:
- Outra tabela oficial. ORSE, SICRO, SUDECAP, SETOP e as demais estaduais são aceitas — o que importa é declarar a fonte e o código, porque é isso que responde a uma diligência.
- Composição própria. Você monta a sua, com os seus coeficientes. É o caminho honesto quando a sua equipe executa de um jeito diferente do que a tabela pressupõe — e o mais rápido é partir de uma composição do SINAPI e ajustar, em vez de montar do zero.
O que não vale é preço sem procedência. "Cotação de mercado" sem documento é a primeira coisa que cai numa análise.
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O que é o SINAPI?
É o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa e pelo IBGE. Publica preços de insumos e composições de serviços por estado e por mês, e é a referência mais usada em obra pública no Brasil.
Qual a diferença entre custo direto e preço com BDI?
Custo direto é o que a obra custa para ser executada. O preço é o custo direto mais o BDI, que cobre administração central, seguros, riscos, garantias, despesas financeiras, lucro e tributos. A planilha deve deixar claro qual dos dois está sendo apresentado em cada coluna.
Posso usar SINAPI em obra privada?
Pode, e é comum. O SINAPI é uma base de custos pública e gratuita; nada impede usá-la como referência de preço em obra particular. A obrigatoriedade de usar tabela oficial é que é própria do contrato público.
Preciso refazer o orçamento quando sai uma competência nova?
Não automaticamente. Orçamento entregue não muda de valor sozinho — o preço lançado é um retrato do momento da inclusão. Trocar a competência de um orçamento já entregue sem avisar é como entregar outro documento com o mesmo nome.
Este texto é informativo e não substitui análise do contrato e do edital do seu caso, nem parecer jurídico. As regras citadas são as da Lei 14.133/2021 e valem para contrato público; em obra privada, vale o que estiver pactuado.